“Hoje, quero viver sem perceber”. Quem disse essa frase foi Mafalda, mas bem que poderia ser lema de quem é criança. Para elas, a vida é uma consequência. O importante mesmo é não perceber o tempo passar por estarem ocupadas demais aproveitando-o. 

Com elas – as crianças – os adultos que deveriam aprender. E não o contrário. Um dia, eu escrevi um poema que dizia, num trecho, assim: “no meio de tanto terror oculto/ o amor, a criança ainda alcança/ por isso, não devíamos chamar criança de adulto/ e, sim, adulto de criança/ aquela pessoinha que enxerga tudo mais colorido/ que, com abraço de mãe, se sente agradecido/ e que no teu colo descansa”. 

É bem por aí que eu começo essa reportagem: nos fazendo lembrar que as crianças são reis e rainhas dessa vida velha; filhas da natureza.

Como figuras da realeza que são, no dia 23 de abril de 2022, elas tiveram uma manhã bem especial e dedicada simplesmente a cada pequeno e pequena. Acontecia o Recital “Sons da Natureza”, do artista, educador e professor musical, Bruno Hermínio. A apresentação foi realizada no Parque Municipal Profº. Maurício de Oliveira, aqui em  Mossoró. E é nesse espírito, juntando natureza e arte, que no #TBTEMPO desta quinta-feira, vamos conferir como foi a primeira edição do recital.

#paracegover: Bruno está com chapéu de coco, veste camiseta de botão marrom com suspensório vermelho. Ele está com as mãos abrindo elementos cilíndricos coloridos pendurados numa estrutura de canos. Fotografia: Luiza Gurgel.

“Sons da Natureza” nasce da musicalização infantil, paixão e trabalho de Bruno. O primeiro contato do professor com a área foi através do projeto de extensão “Expressão Musical”, quando ele ainda cursava Música, na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Lá, ele colecionou vivências que ampliaram o repertório pedagógico e profissional ligados à infância, principalmente, às crianças dos 0 aos 6 anos de idade – público com o qual Bruno trabalha até hoje.

“Durante toda a minha formação inicial, eu pude experimentar, refletir e criar diferentes formas de interação do fazer musical com as crianças pequenas”.
Bruno Hermínio, professor de música.

Após o primeiro contato com o campo da musicalização na infância, Bruno Hermínio somou os ensinamentos que a Universidade proporcionou com a sua experiência na arte e na cultura – uma vez que ele é cantor, ator e bailarino e já atuou em diversos espetáculos – e passou a investir no papel de educador musical, com foco na primeira infância e na formação de professores e professoras que atuam com essa faixa-etária. 

A musicalização infantil ainda é um terreno sendo desbravado. Nem todos e todas têm total consciência da importância plena desse método para o público infantil. Esse processo de aprendizado através da música é um alicerce paralelo à educação da criança, que contribui para o fazer e o pensar do pequeno ou da pequena, de forma ativa, brincante e lúdica. Segundo Bruno, a criança passa a se perceber “diante de um mundo sonoro que a rodeia, interagindo com os demais colegas e tornando-se crítica sobre as possibilidades e contextos culturais atrelados à linguagem musical”.

É aí que surge o recital “Sons da Natureza”, a partir do desejo do artista de envolver, numa apresentação, as diferentes linguagens artísticas que lhe cercam, como a música, o teatro e a dança, juntamente à imensidão da natureza.

“O recital veio a partir da reflexão da minha própria infância, da experiência com a natureza no sítio do meu avô e de tudo o que resgatei e aprendi durante os anos que foram tão importantes na formação do meu ser”.
Bruno Hermínio, professor de música.

A presença dos animais, dos sons e da paisagem sonora presente na natureza sempre foram elementos que fizeram parte do universo de encanto das crianças. A vontade de entrelaçar tudo isso com o fazer musical foi um dos objetivos de Bruno com o Recital. No final, todos os envolvidos, mães, pais, avós, tias, tios, irmãos, irmãs, crianças, estavam unidos em torno de uma vivência intrínseca com o meio ambiente, a música e a brincadeira.

Foi um momento bonito. O desejo era apenas de sorrir vendo aquelas pessoas interagindo e saudando as plantas e os animais, ignorando a existência de aparelhos eletrônicos e jogos – itens, hoje, em demasia no “mundo moderno”.

Bruno Hermínio diz que pretendia, através da apresentação, estimular o desenvolvimento da pequena ou do pequeno por meio unicamente do fazer musical, oferecendo um ambiente ativo e primordial na construção dessa vivência. E conseguiu, alcançando também os adultos que estavam por lá. O resultado disso tudo foi um encontro cerceado pelo afeto, pela musicalidade e pela sensibilização que só a arte e a natureza podem oferecer. 

Foi um verdadeiro piquenique, onde as frutas tinham gosto de brincadeira e os cafés, de música.

#paracegover: Bruno está em pé, de costas, com as mãos levantadas, interagindo com as crianças, que estão sentadas no chão à sua frente. Em primeiro plano da foto, há fitas coloridas. Fotografia: Luiza Gurgel.

Esse foi a primeira edição do Recital, mas a ideia é que seja um projeto itinerante, com o qual Bruno possa “passear”, como ele mesmo diz, pelas diferentes regiões da cidade e, quem sabe, do Estado, proporcionando experiências as múltiplas infâncias, em diferentes realidades sociais, e revelando ambientes da natureza que não são tão usufruídos pela população.

“Trabalhar com Musicalização é antes de tudo trabalhar com a formação do indivíduo através da arte. Musicalizar é sensibilizar; é tornar-se um ser que percebe o mundo através de sentidos que perpassam o entendimento apenas racional; é perceber um mundo através da fruição estética”.
Bruno Hermínio, professor de música. 

Bruno faz das palavras de Paulo Freire as dele: “o educador se eterniza em cada ser que educa”. E complementa: “eu me sinto eternizado em cada experiência vivida, pois sinto que marco a história através das lembranças que se eternizam na construção da personalidade de cada ser que compartilhei a música”.

Vamos fazer valer esse #TBTEMPO

Confira abaixo como foi a primeira edição do recital “Sons da Natureza”.

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