Que Mossoró é uma cidade rica em cultura, conhecida pelo seu pluralismo de artistas, isso já não é novidade para ninguém. Desafios e conflitos são normais nesse caminho, mas a grande floresta de fazedorxs da arte que brotam nessa terra traduz a veia pulsante que permeia a história desse lugar. 

Digo isso porque, além daqueles e daquelas que já tem os rostos vistos nos palcos da vida, há outras pessoas que fazem as suas artes de qualquer modo e em qualquer lugar, seja na rua, na calçada, em cima de uma lona, em casa, numa praça, fazendo de cada milímetro de espaço um palco. Basta colocar uma música, calçar um tênis (às vezes, nem isso) e deslocar a gravidade da Terra dançando sem limites. Eu estou falando dos b-boys e das b-girls, ou melhor dizendo, dançarines de break dance

O cenário dessa dança em Mossoró sempre existiu, mas nos últimos anos, vem crescendo cada vez mais. Jovens estão saindo das suas casas para dançar! Muitos e muitas na expectativa de encontrar outres como elxs. E estão encontrando. Hoje, a capital da cultura tem grupos de breaking espalhados pelos bairros. Grupos estes que estão alcançando os centros; artistas que estão deixando de ser subnotificados para serem simplesmente artistas. 

#paracegover: o grupo Pé de Barro está reunido na concha acústica da Praça Dom João Costa, em Mossoró-RN. Na foto, o b-boy Crown está de cabeça para baixo, com a mão direita apoiada no chão, plantando bananeira. Ele está de calça, camisa verde com preta e tênis. No chão tem uma tona quadriculada preta com branca. Ao redor, uma caixa de som, outros integrantes do grupo e graffiti nas paredes. FOTOGRAFIA: Caboco e Pepeu Savant.

Mas, afinal, de onde surgiu o break dance? De acordo com o jornalista Evandro Pimentel, foi na década de 70 quando esse estilo de dança começou a dar seus primeiros passos, no Bronx, em Nova Iorque. O objetivo inicial era pacificar disputas territoriais na região. Segundo Pimentel, brigas de gangues de rua foram substituídas por batalhas entre crews, grupos de dançarinos que testavam as suas habilidades corporais em disputas acirradas. No Brasil, o breaking surgiu em meados da década de 80, quando alguns jovens começaram a se reunir em frente à estação São Bento, do Metrô de São Paulo-SP, para treinar os passos e, simplesmente, batalhar.  

Hoje, o breakdance é muito mais do que uma dança, ganhando espaço até no esporte. A última grande novidade foi a inclusão oficial pelo Comitê Olímpico Internacional da modalidade nas Olimpíadas de Paris, que acontecerá em 2024. E além do devido reconhecimento enquanto esporte e dança, o break tornou-se mais uma possibilidade de vida e de transformação nas pessoas. 

Em Mossoró, isso não é muito diferente, apesar da pouca valorização por parte da sociedade e dos poderes públicos. É pelo breaking, um dos pilares da cultura do hip-hop, que esses artistas falam; ou ao menos enxergar uma chance para tal. E melhor, a voz não sai apenas pela garganta, mas também pelo suor, pela batida, pela carne, pelo corpo. 

É no intuito de dar voz para esses e essas artistas e expandir o conhecimento sociocultural sobre uma arte em ascensão na cidade de Mossoró, que a Atuá Produções pensou no projeto SALVE, um minidocumentário com cerca de 6 minutos, onde três b-boys – Felipe Luiz, Suelliton “Susuu” e Kelvin “Mouse” – falam sobre as suas experiências com o breakdance e os desafios que já enfrentaram e enfrentam a partir da dança. A direção e concepção da obra é minha (Luiza Gurgel) e o projeto conta com recursos da Lei Aldir Blanc Rio Grande do Norte, Fundação José Augusto, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

“Não é brincadeira, entendeu? É um negócio muito sério, meu irmão… É meio que uma luta por representatividade”.
Felipe Luiz, b-boy, em um dos trechos de SALVE.

Eu não tento ficar combatendo ódio com ódio, ligado? Eu vou combater isso aí da melhor forma que eu faço possível que no caso é dançando”. Suelliton “Susuu”, b-boy, em um dos trechos de SALVE.

“Minha religião é o breakdance, minha religião é o rap“.
Kelvin “Mouse“, b-boy, em um dos trechos de SALVE.

O minidoc SALVE  traz justamente o hip-hop, o breaking e o rap para o centro das discussões, aflorando questionamentos que vão desde o que é a dança até os preconceitos e a discriminação que rondam essa cultura. É um quebrar de barreiras; um desmoronar de estigmas e de tabus que corroem o imaginário social. 

Assista SALVE agora no canal do Youtube do RETICÊNCIAS CULTURAIS. Aproveita e já segue o nosso canal, divulga para todo mundo e deixa seu comentário dizendo o que achou. Bora fazer essa troca cultural? 

Aproveitem…

#paracegover: link do minidoc SALVE na íntegra, no canal do Reticências Culturais no Youtube. Na capa, Suelliton “Susuu” aparece olhando para a câmera, vestindo uma camisa branca e preta, e Felipe Luiz e Kelvin “Mouse” aparecem na lateral esquerda de Susuu sentados na escadaria do Teatro Municipal Dix-huit Rosado, em Mossoró-RN.

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2 responder à “Histórias, desejos, rap e muito hip hop em SALVE, novo documentário sobre o breakdance em Mossoró”

  • setembro 29, 2021 no 10:48 pm

    Oi Luiza, parabéns pelo Blog, pelo minidoc. Muito bacana e importante esse registro do Break aqui em nossa cidade. Os meninos merecem todo nosso respeito e reconhecimento em sua arte. Que venham as ações para essa modalidade de dança.

    • Luiza Gurgel
      setembro 30, 2021 no 11:10 am

      Que assim seja, minha querida Mônica! Importante demais! E muito obrigada pelas palavras…

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