Acredite ou não, bruxas existem. E elas vivem aqui, bem pertinho de nós, ou, até mesmo, do lado de dentro. Quem sabe não somos todas bruxas? Caso não, a arte está aí para ser mais um dos meios capazes de aproximar um pouco esse caminho. Bruna Layara quem o diga. Libriana nascida no município de Serra do Mel, interior do Rio Grande do Norte, que atualmente vive em Mossoró, Bruna é uma artista de mão cheia. A arte visual é onde a sua âncora atraca, e vocês vão poder conhecer um pouco mais do trabalho dela aqui, na exposição do mês de dezembro do Reticências Culturais.

#paracegover: Bruna está olhando para a câmera e seu queixo está apoiado na palma da mão. Tem uma tatuagem no seu braço direito. FOTOGRAFIA: desconhecido.

Bruna Layara é, longe das telas, é uma estudante de publicidade da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), é estagiária em agência, adora direção de arte, fotografia e audiovisual. 

Bruxinha, para os mais próximos, Bruna assina suas obras como Witchlay, personalidade artística que lhe permite representar uma parcela do que ela é e do que ela gosta: o misticismo. A sua relação com a natureza e a “magia das artes”, como ela mesma diz, possibilita a nossa artista de não ser nem estar presa em algum lugar, seja ele físico ou artístico, e viver da liberdade humana.

“Me considero um ser sem cas(c)a fixa. Sempre transmutei entre fases e faces a minha vida toda e levo um pouco disso na minha arte”. Bruna Layara, artista visual.

O amor pela arte começou ainda no berço. Bruna era uma criança que gostava de pintar, desenhar, inventar histórias e criar personagens. (O serzinho da criatividade agradece rsrs). Não havia como seguir outro destino tendo a família que ela tem, já que existem outras personalidades artísticas no meio. No entanto, foi apenas aos 13 anos quando ela resolveu se adentrar na sua própria arte; mergulhar no infinito do seu próprio oceano. Na verdade, não foi a criadora que descobriu a cria, mas a cria que encontrou a criadora.

Aprimorou os traços; apostou no mundo dos desenhos e da pintura como forma de expressão pura de sentimentos. Ela começou a levar isso para as pessoas e, em 2017, passou a vender as suas obras, o que lhe abriu muitas portas. 

“Bruna, você se considera uma artista?”, pergunto. E ela responde: “Me considero mais o resultado do que a arte mudou em mim. Muito antes de pensar em impactar as pessoas com o meu trabalho, eu fazia artes para mim. Me ajuda a me entender e entender o mundo à minha volta”. Estás vendo como a gente tem muito a aprender com Bruna? 

#paracegover: Na foto, o rosto de Bruna desfocado está por debaixo de um pano com listras brancas e pretas. FOTOGRAFIA: desconhecido.

Layara conta que o que tem nas suas telas são fragmentos de sentimentos e situações diluídas, e mesmo que a ideia seja não falar sobre ela, é inevitável não pingar uma gota de Bruna em Witchlay. Hoje, a busca incessante por estar conectada consigo mesma, entendendo todas as versões de si, transformando até o pior sentimento em algo que a ajuda a abraçar quem ela é, como conta, são alguns dos motivos que a fazem realizar a sua arte.

Nos desenhos, mulheres (parecidas ou não com Bruna), entre viver poderes ou solitude; entre contemplar uma galáxia ou uma paisagem; entre identificação daquelx que frui ou repulsão… mas no geral, dando a oportunidade ao e a admiradora da obra de interpretar como quiser.

Sobre futuro e arte, Bruna tenta não pensar muito. Contudo, a ideia de poder levá-las para novos lugares lhe parece bem interessante, assim como nos espaços pelos quais ela já passou, como faculdade, a sua Serra do Mel, a também sua Mossoró, entre outros. Para a artista, a pintura traz o poder de reconciliação da Bruna para a Bruna, de leveza e, sobretudo, de mostrar para si própria que ela tem valor. 

“Bruna, arte e limite combinam?”. “Não são coisas que combinam ao meu ver. O limite ajuda a definir, mas a arte não tem definição exata”. “E a sua arte tem limite?”. Ela responde:

“Não limito o que eu sinto, muito menos o sentimento que se transforma em arte”.
Bruna Layara, artista visual.

#paracegover: Bruna está com um acessório de prata apoiado na testa com moedas penduradas sobre o seu rosto. Ela está séria, com olhos maquiados, e num fundo preto. FOTOGRAFIA: desconhecido.

Witchlay é a soma das vivências e sentimentos de um Bruna que torna-se tudo enquanto pinta. 

Aproveitem a exposição…

WITCHLAY

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