CURA: substantivo feminino; ato ou efeito de curar. Restabelecimento da saúde. Saúde do corpo, mas também, da alma. A cura é potente, e quem ou o que a realiza, ainda mais. Não falo de remédio físico. O ponto aqui é o medicamento de alma. E o que tem o poder de cura? Eu respondo: a música. 

Sobre cura, Mossoró foi presenteada com uma pessoa que foi escolhida pela música para ser um dos seus representantes neste plano. O nome dele é Denilson Duarte, músico, maestro e professor nascido em Patu-RN, que veio para a capital da cultura aos 12 anos de idade, e de lá para cá, desenha uma estrada bonita ao lado da música, a sua maior companheira. Por esse e vários outros motivos, ele é o artista convidado para fazer a playlist do mês de dezembro no Reticências Culturais.

#paracegover: Denilson Duarte está sentado, tocando um violão. Ele veste roupa social e está no palco de um teatro. FOTOGRAFIA: desconhecido.

Denilson define-se como uma pessoa simples, que gosta de estar em contato com as pessoas, conhecendo novas histórias, e ajudar a(o) próxima(o). Além disso, uma das suas maiores paixões é a possibilidade de ensinar, de passar adiante o que aprendeu. E, pode acreditar, ele repassa, com muita maestria. 

O surf não fica muito atrás no ranking dos seus amores. Somando o esporte e a música, o nosso artista realiza-se. No entanto, é como ele mesmo diz, “tocar é a vida, né?”. É, Denilson, principalmente para você, deve ser mesmo.

“O meu amigo professor Luiz Moura, da Escola de Artes, me disse esses dias uma coisa muito bonita: ‘o jardineiro cuida das flores e quem é músico cuida da música’. Então, eu sou músico, mas nas horas vagas, eu gosto de surfar”.
Denilson Duarte, músico, maestro e professor.

O primeiro contato com a música foi ainda na igreja, mas o seu envolvimento começou mesmo a partir da passagem do professor pela PETROBRAS, onde conheceu diversas pessoas que o incentivaram. De carona em carona, uma nova descoberta musical. Posteriormente, ele entrou no Conservatório de Música D’alva Stella Nogueira Freire, onde lhe rendeu trocas e aprendizados que somam à sua formação até os dias de hoje. 

Entre as vivências, o prazer de ser aluno da professora Mara Vasconcelos, que só cantava música espanhola, francesa e portuguesa; a participação no projeto Rouxinol, que consistia em formar corais com crianças das escolas da Rede Municipal de Ensino; os festivais de música que passou a colecionar; os estudos do método do professor Henrique Pinto, nome conhecido na área da música instrumental; entre outras experiências.

“O conservatório foi realmente um divisor de águas, que abriu a nossa mente para outro mundo”.
Denilson Duarte, músico, maestro e professor.

Hoje, Denilson diz que é na Escola de Artes de Mossoró – um dos lugares onde ele trabalha – que ele e um time de mestres conseguem retribuir tudo o que aprenderam.

Música, para ele? Difícil de responder. No entanto, ele se arrisca: “A música é aquela que acalma, né? A música que significa para mim é aquela mesma música que derrubou os muros de Jericó. A música é o meu alimento, a música é a minha segurança, a música é meu reforço, meu guia, minha vida, o pão que coloco na mesa dos meus 5 filhos. Essa é a música que Deus me deu, que me alimenta e alimenta meus filhos, e esse pão sai da minha casa e chega até outras famílias”.

#paracegover: Denilson com outras três pessoas uma ao lado da outra. Denilson segura uma escaleta. Eles e ela estão em frente à escadaria do Teatro Municipal Dix-huit Rosado, em Mossoró-RN. FOTOGRAFIA: desconhecido.

É… mas, fácil, o caminho não é. Se fosse fácil, não seria caminho, não é verdade? Caminhos são como labirintos: difíceis, porém sempre encontra-se uma saída. Com Denilson acontece assim, e na vida dele, a saída tem forma e cor: gratidão. 

Apesar das muralhas que ele já teve que atravessar, a crença na bondade das pessoas ainda vive dentro do teu peito – é até raro encontrar pessoas assim hoje. E ele diz que isso acontece através das artes, essa potência, essa força da natureza que alcança todes nós. “Talvez por isso o medo de muitos não quererem que essa arte possa chegar mais distante e sair dos discursos, né?”, palavras do mestre. 

Denilson é, atualmente, professor de música da Escola de Artes de Mossoró e professor do projeto Movimento Arte & Violão, com o qual ele ocupa a escadaria do Teatro Municipal Dix-huit Rosado para dar aulas gratuitas a quem quiser (jovens, adultos, idosos, crianças). Seja onde for, as aulas de Denilson Duarte nunca são só a transmissão de acordes, ritmo ou harmonia, mas também abraça a parte emocional, psicológica, social e até financeira de alguém, uma vez que muitos dos seus alunes acabam tomando gosto pela coisa e fazendo daquele hobby sua vida. Denilson é aquele que reverbera através da música o poder maior de cura da vida.

“A gente fica feliz porque em 25 anos a gente conseguiu, olhando para trás, ver o resultado do que a gente plantou, e com muita fé e muita simplicidade, honestidade, respeito”.
Denilson Duarte, músico, mestre e professor.

#paracegover: dezenas de pessoas aglomeradas segurando violões e outros instrumentos. Todos e todas estão na escadaria do Teatro Municipal Dix-huit Rosado, em Mossoró-RN. FOTOGRAFIA: desconhecido.

Entendeu por que Denilson e o poder de cura andam lado a lado? Esse professor já curou muitas almas e nada mais justo do que convidá-lo para fazer a playlist de dezembro do Reticências Culturais com o tema CURA. Querendo ou não, é uma palavra que ele conhece bem mesmo sem conhecer. 

Na playlist, vocês vão encontrar de Racionais a Maria Bethânia. São 10 canções suficientes para você lembrar que toda dor acaba, que toda caminhada termina, que todo grito uma hora para de gritar, e que depois do fim existe um começo. Por isso, fazê-la no mês de dezembro. E claro, tem jeito melhor de fazer isso através da música? 

“Hai do mundo se não fosse as artes e hai das artes se não fosse a música”.
Denilson Duarte, músico, maestro e professor.

Aproveitem…

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