Uma pessoa que vai de estudante de odontologia a ilustradora, e que é geminiana com ascendente em escorpião e lua em touro, só deve ter muita coisa para falar mesmo, não é? Rsrs. E, sabe, com ela, palavras não bastam. Por isso, o jeito mesmo é desenhar. Desenhar muito. Colocar para fora o que tanto fala por dentro.

Eu estou falando de Lívia Maria de Freitas Cassimiro. Mais resumidamente, Lívia Freitas, uma mulher arretada, artista preta, lésbica, nordestina, nascida e vivida em Mossoró/RN (“com orgulho”), que percorre o labirinto da vida através do dom da ilustração. E durante fevereiro, vocês poderão desbravar um pouco mais dessa arte e dessa artista, porque a exposição do mês do Reticências Culturais é dela: Lívia Freitas.

#paracegover: Lívia Freitas está ao centro da foto. Ela é negra, tem cabelo curto, preto e cacheado, usa óculos de grau redondo, está usando uma camiseta vermelha escrito “the future is female” e está sorrindo. Ao fundo, uma porta preta numa parede de tijolos brancos, com duas lâmpadas no formato de lamparinas aos lados e dois jarros de planta encostados. Fotografia: desconhecido.

Geminiana raiz, sonhadora e emocionada: é assim que ela se define. Eu acrescentaria a palavra “forte” no meio desse caldeirão. Força esta que, segundo Lívia, veio e vem da arte – mãe da liberdade e da paz.

Foi ainda criança quando o brilho nos olhos dela começou a surgir ao ter os primeiros contatos com o que seria, no futuro, a sua própria arte. Os desenhos sempre foram o seu principal meio de comunicação. Era fácil falar dessa forma, ora relendo outras pinturas, ora rabiscando o cotidiano. 

Anos depois, essa trança formada pela arte, por Lívia e pelo tempo foi se aperfeiçoando, e uma foi conhecendo a outra, ao passo que se reconhecia, cada vez mais. Hoje, dos seus anseios culturais, já nasceu bordado, aquarela em papel e em tecido, arte em porcelana, camisetas e, principalmente, ilustração digital. Esta que já conta com uma coleção de mais de 150 desenhos, incluindo a ilustração de um livro infantil. 

“Eu amo a liberdade e as inúmeras possibilidades que tenho, pois costumo querer muita coisa e sempre acho que é possível”.
Lívia Freitas, ilustradora.

A novidade do momento é o muralismo, transformando as paredes e os muros de uma cidade numa verdadeira exposição ao ar livre.

Apesar de tanta certeza e beleza no que faz, por muito tempo Lívia não se reconhecia como artista. Ela conta que o peso da palavra lhe assustava, o que fazia crer que o caminho ainda era longo até chegar a esta afirmação cheia de barreiras e questões. “Até que entendi que se existe entrega, um misto de sentimentos, se eu consigo colocar para fora o que pulsa aqui dentro, sim, sou artista”. Sim, és.

#paracegover: Lívia está com camiseta e calça pretas, máscara branca, chapéu de palha e luvas pretas. Ela segura um pincel e um pote com tinta. Ela está ao lado do muro lateral da Escola de Artes de Mossoró. Ao fundo, a Avenida Dix-neuf Rosado e o Ginásio Municipal Pedro Ciarlini. Fotografia: desconhecido.

Entre tantas e tantas obras de arte, de diversos jeitos e formatos, um elemento em comum: o amor. A artista mossoroense diz que a maioria dos seus trabalhos trazem o amor como sua real tradução, seja num desenho feito para ela mesma ou para outras pessoas. O amor na sua essência e na sua pluralidade – amor romântico, amor-saudade, ex-amor, amor amigo, o amor múltiplo.

E junto a tudo isso, o que mais lhe motiva a continuar desenvolvendo sua arte é a necessidade de tornar tudo mais leve, eternizando instantes e tocando as pessoas, entre conhecidas ou não. Atravessar essa porta nesse labirinto louco que é a vida, para Lívia, é atingir a liberdade; é ter certeza de que a arte é o seu passe para a terra onde tudo é possível e real. 

“A coisa que eu acho mais incrível no desenho, na ilustração, é a possibilidade de tornar todo e qualquer momento – seja ele real ou não, possível ou não – palpável, visualizável. Isso não tem preço”.
Lívia Freitas, ilustradora.

Sobre desejos, Lívia almeja enxergar a sua arte no mundo como um afago. Espalhando desenhos como quem espalha abraços. Distribuindo cores como quem distribui acolhimento. 

Sobre sonhos, muitos. Em todos, a arte se faz presente.

Sobre planos, quem sabe aprender a tatuar… e fazer grandes murais de metros e metros de comprimento para ver o quão infinita é a sua arte.

Com vocês, a exposição do mês de fevereiro do Reticências Culturais com a ilustradora Lívia Freitas.

Aproveitem…

EXPOSIÇÃO

Quem quiser conhecer ainda mais trabalhos de Lívia Freitas, basta acessar o seu perfil de Instagram @tipifique, onde ela compartilha desde 2017 todas as suas artes.

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2 responder à “EXPOSIÇÃO DO MÊS: Lívia Freitas, ilustradora por e sobre amor”

  • fevereiro 9, 2022 no 12:31 pm

    Artista incrível! Matéria maravilhosa que traduz perfeitamente a potência dessa mulher! ♥️

  • fevereiro 9, 2022 no 2:44 pm

    Matéria linda!! Parabéns, me emocionei! ❤️❤️❤️

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