HOJE

Liberté, égalité, fraternité
Quando, onde, porquê?
Aqui para os filhos deste solo só a mãe é gentil,
Bem vindos a distopia chamada Brasil.
Peço licença pra dizer a verdade,
Por que eu sei que quando ela bate dói, arde.
Mas no fim desses versos poderão me chamar de tudo,
Só não irão me chamar de covarde.
Aqui, já me tiraram a paciência,
Quiseram me roubar a consciência,
Mas eu sigo com a minha resistência!
Num país sem memória,
Onde embranquece o preto e negaciona a história
É preciso ter a esperança de Quintana.
Ô pátria queimada, desidratada, SALVE! SALVE!
O solo de onde eu venho é duro,
Mas não tão duro quanto a capa do livro da vida,
E a leitura que proporciona o saber,
É a mesma que infecciona à ferida.
É que eu chorei, sim!
Chorei quando li sobre a lei da anistia,
Perdoaram o homem que matou um filho enquanto o pai via.
Eu sei, eu não estava lá.
Mas quem perdoa é Deus
Estamos aqui pra cobrar.
O dia de hoje
poderia ser considerado feriado nacional,
Denominado: re-vo-lu-ção!
Vai representar essa cidade
O filho da merendeira
e do homem que trabalha em construção.
Eu sei, eu incomodo,
Falando a verdade, pedindo equidade e consideração.
Mas a galera tem que estar preparada
Pra segurar a rajada
Da nova geração.

Hiarla Yasmim França Rodrigues, assina como Hiarla Rodrigues, nasceu em Mossoró/RN e escreve poesias desde os 12 anos de idade. Tem 23 anos e estuda Letras/língua portuguesa na UERN. Atualmente é artista, escritora, cordelista e pesquisadora. "Uma vez eu li um texto de Guimarães Rosa que dizia: viver é um rasgar-se e remendar-se. É assim que eu me sinto, através da arte e por ela, eu me rasgo e me remendo todos os dias."

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