A gente ouviu muito por aí, no decorrer desses dois últimos anos, que a cultura foi talvez um dos setores mais prejudicados pela pandemia da Covid-19. Ouvimos muito que foi o primeiro a parar e o último a voltar. O que é verdade. Mas será que você tem noção do que é isso?

De acordo com um levantamento realizado pela UNESCO, SESC, Universidade de São Paulo (USP) e o Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, denominado “Pesquisa de Percepção dos Impactos da COVID-19 nos Setores Cultural e Criativo do Brasil”, mais de 60% des profissionais das artes cênicas foram prejudicades com perda total das suas receitas. Desses, a grande maioria sendo do circo, do teatro e donos de casas de espetáculo. A pesquisa foi divulgada no dia 14 de abril de 2021.

No final do ano passado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também realizou um estudo analisando esse mesmo cenário. Segundo os dados, o setor cultural perdeu mais de 600 mil trabalhadores em 2020, o que equivale a uma queda de pouco mais de 11% em relação ao ano anterior. E, mesmo diante dessa realidade, os investimentos federais em cultura foram os menores em 12 anos. 

Deu para entender melhor o que toda essa paralisação do mundo gerou para o setor? Pois é. Aqui em Mossoró não foi diferente. Esse impacto também chegou por essas terras. 

É nesse contexto que um jornalista e produtor audiovisual de Mossoró/RN resolve fazer um documentário ouvindo quem tem lugar de fala sobre o assunto: os próprios artistas. É assim que nasce o minidoc “Cultura em Pandemia”, de Alexandre Fonseca. 

#paracegover: s Fotografia: desconhecido.

O documentário foi lançado no dia 17 de fevereiro de 2021, no canal do youtube da AF Produções, e é o que a gente vai relembrar no #TBTempo de hoje, aqui no Reticências Culturais.

A ideia inicial nem era falar diretamente sobre os impactos da pandemia no setor, e sim, sobre a cultura, de uma forma geral, mossoroense. No entanto, como todos os entrevistados tiveram que cancelar ou adiar as suas participações nas gravações do documentário devido às restrições de isolamento geradas pela pandemia, o foco da produção acabou sendo adaptado para isso. 

Foi aí que decidimos desenvolver um produto sobre como os artistas e pessoas envolvidas com o meio cultural conseguiram se adaptar ao período pandêmico, tendo em vista a falta de eventos e de ações que fomentassem as suas rendas”, explica Alexandre. 

#paracegover: o quadrilheiro Adriano Duarte está gesticulando as mãos e a boca como quem está falando. Ele é negro, tem barba, cabelo preto e curto, e veste uma camiseta amarela. De fundo, muitas plantas. Fotografia: frame do vídeo.

“Acredito que o documentário pode trazer visões únicas de como a superação está presente em nossas vidas. Além de empatia, digo que aprendi mais sobre dar a volta por cima”.
Alexandre Fonseca, diretor de “Cultura em Pandemia”.

Como as gravações aconteceram entre os tantos auges que a pandemia teve, os cuidados tiveram que ser re-redobrados. Desde o processo de produção até a captação de imagens, o álcool sempre esteve ali por perto (tanto o 70% quanto o isopropílico – para máquinas), e claro, com as máscaras coladas nos rostos. Foram escolhidas locações em locais abertos e arejados, preferencialmente nos primeiros horários do dia, para não haver aglomeração. 

Para “Cultura em Pandemia”, Alexandre entrevistou, em dias alternados, três artistas mossoroenses: o ator Raull Davyson, o fotógrafo Pacífico Medeiros e o quadrilheiro Adriano Duarte. 

#paracegover: o fotógrafo Pac´ífico Medeiros é branco, usa óculos, tem cabelo preto e curto e barba preta com detalhes brancos, e veste uma camiseta cor de grafite. Ele está sério, olhando levemente para o seu lado esquerdo. De fundo, algumas plantas e a Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte. Fotografia: frame do vídeo.

“95%, 98% dos fotógrafos não tem outra renda de trabalho. Então, todos os profissionais de trabalho que não tem um companheiro, uma esposa, que dê condição para ter segurado esse processo, foi muito complicado”.
Pacífico Medeiros, fotógrafo.

Segundo o documentarista, haviam outros nomes para as entrevistas, mas os convidados acabaram tendo que cancelar por adoecerem de Influenza ou a própria Covid.

“Cultura em Pandemia” foi idealizado com apoio da Lei Aldir Blanc do Município de Mossoró, da Secretaria Municipal de Cultura e pela AF Produções. A produção foi assinada pelo também ator Gledson Lopes e teve ainda o apoio técnico da estudante Thaiza Medeiros.

“Como todos os artistas, todos os profissionais, todo mundo, a gente tinha muitos planos para poderem ser executados […] da maneira que a gente gostaria que fosse […], e aí não foi possível”.
Raull Davyson, ator da Cia. Pão Doce. 

Para Alexandre Fonseca, esse novo trabalho revela ainda mais a importância da empatia, principalmente depois de uma realidade que gerou efeitos altamente negativos na vida de tanta gente, como a depressão ou até a perda de alguém. 

Segue o link do documentário “Cultura em Pandemia”, de Alexandre Fonseca. Aproveitem…

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